10.12.17

MEMÓRIA: A edição de Natal do "Notícias de Nisa" (nº 18 - 24 Dezembro 1997)

A edição de Natal do "Notícias de Nisa" (nº 18 - 2ª série) saída a público no dia 24 de Dezembro de 1997, quase poderíamos dizer que era uma "edição de luxo". Pela qualidade do papel, pelo contéudo noticioso (as eleições autárquicas tinham decorrido há poucos dias e o jornal fazia ampla divulgação quer dos resultados, quer da composição de todos os órgãos autárquicos do concelho) quer ainda, sobretudo, pela excelente capa, totalmente a cores e com um belíssimo desenho de António Maria Charrinho.
No interior, para além do natural destaque às eleições para o poder local, não descurámos o tema mais importante da edição, o Natal, com textos alusivos a esta data tão festiva e simbólica, entre eles, um artigo de José Francisco Figueiredo extraído do "Correio de Nisa" de 25 de Dezembro de 1945 e que iremos colocar neste Portal, bem como outros não menos interessantes e que focavam a importância desta quadra natalícia. Como este, publicado na citada edição do "Notícias de Nisa", a penúltima, antes da "entrada em cena" do "Jornal de Nisa". Recuemos no tempo...
Avançar no tempo
Longe de nós vai o tempo em que toca o sino e o espírito natalesco é vivido de acordo com a pura tradição.
Está a acabar a Família reunida de uma forma modesta junto ao calor da lareira.
Eram com simples presentes que se satisfaziam os desejos mais apetecidos. Com uma boneca de papelão ou uma bola de trapos, as brincadeiras, apesar de simples eram feitas de coração entregue às mais puras imaginações.
Mas estamos a entrar na era do século XXI, um século de inovação, de avanço, de transformação de bonecas de trapos para Robots, espadas e heróis do Dragon Ball.
O dinheiro salta das algibeiras como um sopro apaga uma vela. Caros leitores, estamos perante o mundo do Consumismo!
Ao calor das lareiras ainda se permanece, mas as aldeias estão a morrer e as cidades crescem deixando a tradição a cargo dos anos que a apagam.
É razão para dizer a expressão que muitas pessoas hoje em dia gostam de utilizar: “A tradição já não é o que era!”.

Patrícia Porto

9.12.17

NISA: Exposição "Cápsulas com Arte" na Biblioteca Municipal


Exposição sobre Reciclagem da CerciPortalegre no IPP


PÓVOA E MEADAS: Prolongado prazo de Inscrições para Curso de Formação

O prazo para as inscrições no Curso de Turismo e Lazer foi prolongado até ao próximo dia 27 de Dezembro. O curso é promovido pela Junta de Freguesia de Póvoa e Meadas, em parceria com a Inetese.
Trata-se de uma ação de formação modular certificada de 300 horas direcionada para desempregados de longa duração.
As inscrições são gratuitas e estão a decorrer até ao dia 27 de Dezembro. Como regalias são apresentadas subsídios de alimentação e de transporte e certificados de formação por cada unidade frequentada. A formação terá lugar nas instalações da Junta de Freguesia em Póvoa e Meadas.


8.12.17

ALERTA À POPULAÇÃO – Períodos de Frio Intenso

Nos dias de frio intenso são necessários alguns cuidados de prevenção a nível pessoal e das condições da habitação.
A exposição excessiva ao frio intenso pode ter efeitos na saúde como o enregelamento, a hipotermia e o agravamento de determinadas doenças, nomeadamente cardíacas e respiratórias, em especial na população mais vulnerável, como crianças, idosos e pessoas sem-abrigo.
Nos períodos de frio, recomenda- se  e aconselha-se a adoção das seguintes medidas :
* Areje a casa, abrindo periodicamente um pouco as janelas, evitando a humidade excessiva e a eventual acumulação de gases;
* Tenha cuidado com a utilização dos aquecimentos a lenha, pois podem libertar gases da combustão e provocar Intoxicações por Monóxido de Carbono;
* Verifique se os aquecimentos elétricos funcionam bem;
* Beba Líquidos Mornos como sopas, chá e leite;
* Coma Legumes e Frutas;
* Se houver um período de frio intenso, tenha em casa uma reserva de Alimentos para 2 a 3 dias e verifique que tem Medicamentos suficientes;
* Vista várias Camadas de Roupa, de preferência de fibras naturais (algodão, lã, etc.);
* Use Calçado Quente e que não escorregue;
* Tome banho com água morna e hidrate a pele, não esquecendo as mãos, pés, cara e lábios.
Sem esquecer outros Cuidados de Proteção:
* Se trabalha no exterior, proteja o corpo com roupa e calçado adequado;
* Quando viajar de automóvel cumpra as regras de segurança: cuidado com a berma da estrada pois pode haver gelo; utilize, se necessário, correntes para a neve; conduza a velocidade reduzida; informe sempre alguém sobre o percurso que vai seguir;
* Em dias de muito vento, procure andar por locais abrigados;
* Quando sair de casa com bebés ou crianças, proteja-os bem do frio;
* Se trabalha com idosos ou pessoas com alguma dificuldade de mobilidade, incentive-os a fazer pequenos movimentos com os dedos, braços e pernas, pois evitam o arrefecimento;
* Se tem familiares, vizinhos ou amigos que vivem sozinhos, certifique-se que se encontram bem de saúde e em condições de conforto.
* Mantenha-se atento aos Avisos e iinformações dos organismos oficiais sobre previsões meteorológicas e alertas.
Para mais informação:
Instituto Português do Mar e da Atmosfera – www.ipma.pt
Autoridade Nacional de Proteção Civil – www.prociv.pt
Portal SNS
Direcção-Geral da Saúde – www.dgs.pt
Administração Regional de Saúde do Alentejo, I.P. – www.arsalentejo.min-saude.pt
Em caso de dúvidas aconselhe-se com o seu médico assistente ou ligue para a – Saúde 24 – 808 24 24 24.
Em caso de emergência ligue 112
ULSNA

7.12.17

NISA: As modas do Rancho da Casa do Povo (1982) - IV

Esta foto foi publicada nos Postais do Concelho na edição nº 227 do "Jornal de Nisa" com o texto que juntamos. Aproveitamo-la, agora, como imagem ilustrativa de mais uma das "Modas" do Rancho da Casa do Povo de Nisa. 
"Lindos e originais, eram os trajes típicos de Nisa, profusamente mostrados pelo Carnaval. Hoje, parece que entrou em desuso, na nossa terra, em contraste, com a alegria e orgulho com que as mulheres alpalhoenses exibem os seus. Não podemos deixar morrer esta marca tão característica da nossa identidade."
ESTRALOS
 (Ele e Ela) - Da cabeça até aos pés
Tudo vestido a primor
O nosso rancho, senhores
Ai parece um jardim em flor.

(Ele) No jardim da minha terra
Uma flor eu quis colher
No teu pé estava um letreiro
Ai que era proibido mexer.

(Ela) Não me toques nem me colhas
Ó moço toma juízo
Há mais flores sem ser eu
Ai porque eu de ti não preciso

(Ele) Se eu tivesse mil rosas
Plantadas no meu jardim
Teria sempre um canteiro
Ai reservado para ti.

(Ela) Ser plantada eu queria
Do fundo do coração
Um canteiro rico ou pobre
Mas de boa condição

(Ele) Amores perfeitos são rosas
Ai são rosas do meu jardim
Mas olha que amor perfeito
Não há outro igual a mim.

S. Silvestre do Crato, reúne família do atletismo no dia 23 de Dezembro

No dia 23 de Dezembro pelas 15 horas, realiza-se a XX corrida de S. Silvestre que contará pelo V ano consecutivo, com uma caminhada para os menos preparados.
A XX edição da corrida de S. Silvestre de Crato é uma prova organizada pelo Município do Crato com a colaboração técnica da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre e o apoio da Escola Profissional Agostinho Roseta.
Irá reunir-se numa data perto da quadra natalícia, a família do atletismo distrital que
semanalmente se junta para disputar o circuito AADP de Corridas, mas também se vão deslocar até a vila do Crato, atletas de vários pontos do pais, que ano após vem até terras alentejanas para competir neste evento.
A prova conta com um percurso de 5.200 metros, que percorre diversas artérias da vila
Alentejana, que em tempos foi terra de ocupações romanas e da Ordem dos Hospitalários, podendo ser observados alguns pedaços desse património cultural ao longo do percurso.
Irão estar em competição atletas de todos os escalões etários, iniciando-se nos benjamins que percorrem cerca de 200 metros e terminando nos escalões mais velhos, que realizam 2 voltas ao percurso perfazendo um total de 10.400 metros.
A organização preparou para os atletas um vasto leque de prémios para todos os escalões em prova, contando também com prémios monetários para os 10 melhores classificados na geral de cada género em competição.
As inscrições para o evento devem realizar-se na página da Associação de Atletismo de
Portalegre em aadp.pt, em formulário destinado a esse efeito, até as 18 horas de dia 20 de Dezembro.
Para os atletas filiados na AADP a inscrição é gratuita para os restantes tem o valor simbólico de 1€, de acordo com o regulamento da competição que poderá ser consultado em aadp.pt

Para qualquer esclarecimento ou informação não hesite em contactar a AADP, pelos canais habituais.

"Bonecos de Estremoz" aprovados como Património Cultural Imaterial da Humanidade

Bonecos de Estremoz - Foto Jorge da Conceição
São uma arte de carácter popular com mais de 300 anos de história e o primeiro figurado no mundo a merecer esta distinção da UNESCO.
A UNESCO classificou como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos "Bonecos de Estremoz", em barro, uma arte popular com mais de três séculos.
A classificação da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz", vulgarmente conhecida como "Bonecos de Estremoz", foi decidida na 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que decorre na Ilha Jeju, na Coreia do Sul, até sábado.
A decisão, que ocorreu pelas 1h05 (hora de Lisboa), foi bastante celebrada pela comitiva portuguesa que durante os festejos exibiu exemplares de "Bonecos de Estremoz".
Ateliê Irmãs Flores - Foto Rosário Silva
Na área de Património Cultural e Imaterial da Humanidade estavam a concorrer inicialmente 49 candidaturas, das quais 35 foram aprovadas, tendo no final recolhido parecer negativo 11.
Os "Bonecos de Estremoz" pertencem a uma arte de carácter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.
A candidatura teve como responsável técnico o director do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro.
Autarca "muito feliz" com "selo" da classificação
"No fundo é um momento grande da história de Estremoz em termos da sua classificação, das suas gentes, porque o figurado de barro representa tudo o que é o trabalho, tudo o que é a dificuldade dos alentejanos e dos estremocenses em particular", disse o autarca de Estremoz.
Presépio Tradicional - Irmãs Flores - Foto Rosário Silva
De acordo com Luís Mourinha, a UNESCO valorizou os "Bonecos de Estremoz", uma arte popular em barro com mais de três séculos, pela "visão do artista, do artesão sobre a sua envolvência".
Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a arte, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efectuada manualmente, segundo uma técnica com origem pelo menos no século XVII.
Em Estremoz, trabalham actualmente nesta arte emblemática Afonso e Matilde Ginja, Célia Freitas, Duarte Catela, Fátima Estróia, Irmãs Flores, Isabel Pires, Jorge da Conceição, Miguel Gomes e Ricardo Fonseca.
in rr.sapo.pt

6.12.17

PCP analisou situação política e social no Alentejo

A Direção Regional do Alentejo (DRA), reunida no dia 5 de Dezembro de 2017, analisou a evolução da situação política e social, o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e da população na região, aprovou o calendário de iniciativas para 2018 e decidiu convocar a 5ª Assembleia Regional do Alentejo do PCP para 17 de Novembro de 2018.
I -  A Seca e o impacto na Região
A DRA do PCP analisou os efeitos da seca na região, tendo concluído que, sendo certo que Alqueva, como reserva estratégica de água, é um importante meio de abastecimento público de água, para a agricultura e para a população de uma faixa abrangente dos distritos de Beja e Évora, não tem condições para resolver todos os problemas existentes no Alentejo. A DRA do PCP manifesta a sua mais profunda preocupação pelos efeitos da seca, na agricultura, na orizicultura, na pecuária, e no abastecimento à população a curto, médio e longo prazo numa parte substancial da região.
A DRA do PCP não pode deixar de refletir a sua preocupação face à tendência para o aumento dos períodos de seca e pela opção por uma agricultura assente quase em exclusivo no regadio, caracterizada pela intensificação do uso da água e da terra, de que em vastas áreas da região a vinha e o olival são a principal expressão. A que acrescem as consequências no sobreiro e na azinheira, árvores tradicionais na região e que neste momento são milhares as que estão a secar, com elevados prejuízos para o sector.
A DRA do PCP expressa a sua mais profunda solidariedade com os agricultores e orizicultores em particular com os pequenos e médios, e exige do governo além de palavras medidas concretas de apoio.
A actual situação requer medidas que o PCP tem insistentemente reivindicado, de carácter estrutural e urgente, com impacto na rede hidráulica existente e a criar, intervindo na melhoria das actuais infra-estruturas, incluindo aumento de capacidades, na concretização da construção de barragens há muito tempo previstas, de que é exemplo a Barragem do Pisão, bem como a realização da ligação entre o Alqueva e o Monte da Rocha.
A DRA do PCP manifesta igualmente preocupações sobre o desenvolvimento de linhas de acção, a partir do governo, que procuram condicionar a autonomia dos municípios na gestão da água pública, e exige que os fundos europeus para a melhoria da eficiência hídrica, renovação e qualificação das infra-estruturas da rede de distribuição da água em baixa à população, seja feito sem pressões, sem chantagens e sem discriminações permitindo a concretização dos investimentos necessários, que a actual situação de escassez torna ainda mais prementes.
II - Reforçar o Poder Local Democrático e as organizações unitárias dos trabalhadores e do povo - Prosseguir a luta
A DRA do PCP avaliou o processo de instalação dos órgãos autárquicos, tendo concluído que, iniciado o novo mandato, o entusiasmo e empenhamento manifestado pelas centenas de eleitos da CDU, no desenvolvimento do trabalho em prol das populações e do desenvolvimento local e regional, são motivo de forte confiança na concretização do projecto autárquico do PCP.
A DRA do PCP regista, entretanto, a postura de alguns eleitos do PS que, na busca de hegemonização do poder, ignoram a lei e não olham a meios para atingir os seus fins, assumindo responsabilidades na situação de impasse na eleição de órgãos, pelas consequências que daí advierem, praticando uma cultura de poder pelo poder, diminuindo a matriz de diversidade e pluralidade que existe no Poder Local.
A DRA do PCP apela aos eleitos do PCP, às centenas de independentes que integraram as listas da CDU, aos milhares de activistas, para que prossigam, com dedicação, e empenhamento, o trabalho e a luta para o cumprimento dos compromissos eleitorais assumidos, dando particular atenção ao cumprimento do projecto autárquico pelo qual se candidataram, reforcem a gestão democrática e de proximidade aos trabalhadores e às populações.
Valorizando a consolidação dos avanços na reposição de direitos e rendimentos contidos no Orçamento do Estado (OE) de 2018, em resultado da luta dos trabalhadores, da acção e iniciativa do PCP, a DRA do PCP considera que o seu conteúdo globalmente considerado, em resultado das opções do PS, está longe de corresponder à resposta necessária para enfrentar o nível de degradação da situação do País e da Região, e manifesta a sua preocupação pela continuada degradação dos serviços públicos na educação e saúde no Alentejo, com a perda de valências e a falta de pessoal em várias unidades hospitalares e a escassez de pessoal nas escolas, o encerramento de estações dos CTT, perseguição de trabalhadores, e o crescente aumento dos dias para a entrega do correio, a falta ou insuficiente investimento na rodovia e na ferrovia (de que é exemplo o não compromisso na electrificação das ligações a Beja e a situação existente na linha do leste, com destaque para a ligação entre Abrantes e Fronteira), o prosseguimento do processo de “desertificação” humana da região e a falta de inscrição de verbas para a construção do Hospital Central do Alentejo em sede de OE para 2018.
Mais do que palavras e acções de propaganda sobre a “desertificação” humana, e a baixa demografia do interior, o que a Região precisa é de uma verdadeira política de desenvolvimento, assente no aproveitamento dos recursos e potencialidades existentes. A DRA do PCP reafirma que a valorização do interior pressupõe a existência de meios financeiros para dar suporte às políticas preconizadas, ao mesmo tempo que necessita que do ponto de vista da organização territorial existam as estruturas de poder que lhes permitam dar expressão e isso implicaria que no cumprimento dos preceitos constitucionais fossem instituídas as regiões administrativas emanando da vontade popular e com atribuições e competências próprias.
A DRA do PCP saúda a luta dos mineiros da SOMINCOR em Castro Verde e da ALMINA em Aljustrel, dos trabalhadores da Petrogal, da EFATM, dos CTT, dos professores, dos médicos e enfermeiros, dos assistentes operacionais e administrativos da área da saúde e educação, e a luta das populações por melhores serviços públicos e apela à intensificação da luta reivindicativa por melhores salários, pelo aumento do salário mínimo nacional para os 600 euros em Janeiro de 2018, como caminho indispensável para a melhoria das condições de vida e para a promoção do desenvolvimento económico e social do Alentejo e do País.
III - Reforçar o PCP – desenvolver a acção e iniciativa política
A DRA do PCP avalia positivamente o desenvolvimento, neste período, de um largo conjunto de iniciativas, de onde se destacam: as comemorações do Centenário da Revolução Socialista de Outubro que decorreram durante todo o ano, com a realização de debates, exposições e convívios tendo tido particular centralidade durante o mês de Novembro, envolvendo centenas de pessoas em toda a região; a evocação do 104º aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal em Évora com a realização de uma sessão pública sob o lema “A arte, a cultura e a produção artística, eram alvo de dedicação material e intelectual de Álvaro Cunhal”; a acção de contactos com agricultores e suas organizações, realizada em toda a região entre o dia 30 de Novembro e o dia 4 de Dezembro.
A DRA do PCP avaliou o conjunto de estruturas de apoio ao trabalho de direcção, registou o conjunto de assembleias de organização regionais, concelhias, de freguesia, de empresa e sectores agendadas para 2018, aprovou o calendário de iniciativas de âmbito Alentejo, das quais destaca: o convívio de alentejanos no dia 27 de Janeiro na Quinta da Atalaia/Amora – Seixal; o almoço/comício comemorativo do 97º aniversário do PCP no dia 18 de Março; a participação na Festa do Avante a 7, 8 e 9 de Setembro; a 5ª Assembleia Regional do Alentejo no dia 17 de Novembro, e apela a todas as organizações o empenho na concretização das linhas de trabalho definidas no XX Congresso com vista ao reforço do Partido Comunista Português.
5 de Dezembro de 2017
A Direção Regional do Alentejo do PCP

Inauguração do Presépio Tradicional Português em Santiago do Cacém

O Quartel Velho dos Bombeiros foi o local escolhido para acolher o Presépio Tradicional Português em Santiago do Cacém. A iniciativa é inaugurada a 7 de Dezembro, às 21h30, e prolonga-se até 7 de Janeiro. Ao longo deste mês, terão lugar conferências, visitas guiadas, concertos e outras iniciativas que visam dar a conhecer as boas práticas da arte dos Presépios.
Quando se aproxima o Natal, a magia do Presépio renasce. No entanto, a arte do Presépio Tradicional Português está a definhar e corre o risco de se extinguir. O alerta é dado pelo Centro UNESCO de Arquitectura e Arte (UCART), com sede no Alentejo.
De acordo com quem analisa o fenómeno da descaracterização dos presépios, este problema não reside, na concorrência do Pai Natal ou das árvores cheias de bolas coloridas que fazem parte do imaginário mais recente da quadra. O que tem vindo a suceder realmente, nas últimas décadas, é uma perda acentuada dos traços distintivos dos nossos presépios, que abandonam a sua matriz e se tornam cada vez mais produtos comerciais descartáveis. Está em risco um património, material e imaterial, que precisa de mais atenção.
“O Presépio Português faz parte de uma rica tradição europeia, mas tem personalidade própria, em que marcam presença as cenografias baseadas em paisagens naturais, a multiplicação de cenas da vida rural e urbana, a alternância de escalas e o destaque conferido à Sagrada Família, que é o seu epicentro”, salienta José António Falcão, responsável do UCART. E acrescenta: “Não se trata de manter a arte presepística como algo parado no tempo, há todo um espaço de inovação a valorizar, mas o que ocorre agora é uma amálgama de coisas sem sentido e sem gosto, que perturba inclusivamente a captação da mensagem de fundo do Presépio”.
Assegurar o futuro desta arte, transmitir os seus preceitos aos mais novos e adaptá-la aos tempos de hoje são as chaves de uma iniciativa que transforma a construção de um Presépio Tradicional Português numa “escola viva” do Presepismo e chama si a intervenção dos moradores no centro histórico de Santiago do Cacém. O local escolhido é um edifício emblemático da cidade: o Antigo Quartel dos Bombeiros, projectado pelo arquitecto Rafael de Castro, em 1931, onde existira a capela de Santo António.

Um Presépio comunitário que recupera velhas práticas
Sob a orientação do arquitecto Ricardo Pereira, da conservadora-restauradora Sara Fonseca e da pintora Raquel Ventura, mais de meia centena de pessoas, entre adultos e crianças, trabalharam afincadamente, ao longo de vários dias, na construção do Presépio. Na retaguarda, o escultor Vasco Tavares da Silva, o mestre serralheiro Gonçalo Cavalinhos e a professora aposentada Ivone Pereira Bento foram velando para que tudo avançasse da melhor maneira.
De início, uma equipa recolheu pedaços de cortiça, troncos, bolotas e ervas aromáticas nas matas litorais, tendo o cuidado de preservar espécies protegidas; outra concebeu a estrutura de base, ergueu a sua “alma”, usando cadeiras e mesas, e forrou-a com papéis coloridos, fabricados por uma empresa da zona; outra foi desembrulhando e alinhando centenas de figuras – todas com mais de 50 anos, todas feitas em materiais tradicionais –, emprestadas por famílias e instituições da terra; outra ainda ocupou-se de alguns restauros imprescindíveis.
A montagem do presépio, foi um acto comunitário a que todos deram uma nota pessoal, à semelhança de outros tempos, o Presépio foi ganhando corpo, permitindo explicar não só como o montavam os nossos antepassados, mas também o que simboliza cada um dos seus elementos. Uma “escola informal” da arte presepística, em que se transmitem, de geração para geração, os segredos de como se faz uma gruta, se monta uma cascata ou se dispõe a cavalgada dos Reis Magos.
O antigo bombeiro, Alfredo Sobral, carpinteiro reformado e bombeiro honorário da Corporação local, em que ingressou com 17 anos, não ocultava a sua satisfação por ver de novo o edifício de portas abertas. “Gosto de ver assim este espaço, cheio de gente nova; no meu tempo, foi uma escola de vida”. Natália Caeiro, a presidente da Associação de Bombeiros Mistos, refere: “É uma honra que o Centro UNESCO tenha escolhido o nosso quartel velho para as suas actividades, queremos todos dar um contributo para a revalorização do Presépio Português”.

MEMÓRIA: Niza, capital da olaria do Alto Alentejo

A edição de 28 de Maio de 1983 do "Há tanta ideia perdida", quinzenário da cultura popular alentejana, trazia a notícia, na capa, da escolha de Nisa (no jornal vem com um Z) para acolher o III Encontro Regional da Olaria Alentejana.
No jornal e no Centro Cultural Popular Bento de Jesus Caraça, pontificavam, entre outros, João Madureira, grande animador cultural e homem de ideias frescas e não menos polémicas, o que revelava que mexiam com o status quo instituído, mesmo tendo em conta, a brisa libertadora do 25 de Abril, acontecido poucos anos antes.
O III Encontro de Olaria Alentejana foi um grande acontecimento cultural e que trouxe a Nisa muita gente. Ainda me lembro (e devo ter para aí, numa qualquer caixa de papelão, panfletos, contra a iniciativa) da controvérsia e da oposição que a iniciativa gerou, vindos das mesmas pessoas ou organizações que, passados quarenta anos, ainda mandam cartas anónimas e não sabem (nunca souberam!) assumir uma crítica frontal e de cara descoberta.
A Câmara, presidida pela APU, enfrentou com decisão esse desafio e iniciativa inovadora e de grande alcance cultural. Realizou o Encontro Regional de Olaria no Jardim Público, espaço de lazer que ao contrário do que anunciavam os opositores, "não ficou com a relva estragada, nem transformado num deserto". Hoje, infelizmente, não é bem assim e é com grande mágoa que dou conta desta constatação. Mas, isso, será tema para próximo artigo.

Bloco promove convívio com cariz solidário em Campo Maior

No próximo dia 17 de Dezembro, pelas 16h00 a Concelhia de Campo Maior, juntamente com a Distrital de Portalegre, promoverão um convívio na sede que terá também um cariz solidário.
Durante a campanha eleitoral, o camarada José Luís Monteiro emprestou o seu carro pessoal à campanha eleitoral do Bloco. Dias antes das eleições, enquanto fazia campanha, teve um acidente e o carro ficou inutilizado. O carro era utilizado diariamente pelos camaradas José Luís Monteiro e Cristina Monteiro que passaram a deslocar-se com dificuldades acrescidas. Para minimizar esta situação entenderam, ,  a Concelhia de Campo Maior e a Distrital de Portalegre promover um convívio no qual poderão contribuir para ajudar o nosso camarada a comprar ou dar entrada para um carro.
Para participares nesta ação solidária, convidamos-te a estares presente no próximo dia 17 de dezembro pelas 16h00 na sede de Campo Maior (Rua de Ramires nº 12 A) para um lanche e convívio. Poderás também fazer um donativo pessoal por transferência bancária para o Iban – 0035 20290001087233088 (Titular: José Carlos Soares).
Relembramos que entre as 16h00 e as 19h00 estará aberta a urna de voto para a eleição da nova Concelhia de Campo Maior.
Somos um partido solidário, contamos contigo!

MARVÃO: Lançamento de livro de Mariana Garção no Museu Ammaia


Enviamos em anexo Nota Informativa sobre o lançamento do livro "O Mundo dos meus Sonhos" de Mariana Garção.
A apresentação decorrerá no Museu Ammaia, dia 15 de Dezembro pelas 18:00h
Gostaríamos de contar com a vossa presença e com a vossa divulgação.

NISA: “Artilheiros/as” de 1947 comemoraram 70 anos


Foi mais uma festa de “Artilheiros” das muitas que se realizam em Nisa durante o ano. Esta teve um sabor especial e juntou homens e mulheres que nasceram em 1947 num alegre convívio no restaurante “As 3 Marias”. Setenta anos de vida comemorados com o convívio gastronómico, mas onde não faltaram outras manifestações culturais e musicais, com os fados mais castiços interpretados ao sabor do sentimento de cada um. 

IMPRENSA REGIONAL: "Alto Alentejo" - 6/12/2017


5.12.17

OPINIÃO - Eurogrupo: pode alguém ser quem não é?


Rejeitemos ilusões otimistas ou tentações megalómanas: o Eurogrupo não deixará de ser o Eurogrupo por ter Mário Centeno como presidente, e Mário Centeno não deixará de ser Mário Centeno por presidir ao Eurogrupo. O organismo que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro é um dos exemplos por excelência do autoritarismo europeu. Apesar de não ter existência formal nos tratados europeus, tem um enorme peso nas decisões que afetam milhões de pessoas, incluindo em Portugal.
Foi deste Eurogrupo que vieram as orientações de austeridade durante a crise, impostas à força a democracias nacionais e soberanas. E foi este Eurogrupo que expulsou o ministro das Finanças grego quando, em 2014, este recusou as orientações da União Europeia. E foi também o Eurogrupo que assistiu às declarações xenófobas do seu anterior presidente ou do ministro das Finanças alemão contra Portugal.
E mesmo dentro deste organismo, é preciso não confundir quem é quem. O presidente do Eurogrupo não é um superministro das Finanças a nível europeu. Esse lugar continua, como no passado, reservado ao ministro das Finanças alemão, que foi quem comandou as políticas agressivas de austeridade contra os países da periferia europeia.
Pode, então, Mário Centeno, porque é português e pertence a um governo do PS, fazer a diferença na presidência do Eurogrupo? A resposta deve ser realista.
Tanto Durão Barroso, nomeado presidente da Comissão Europeia, como Constâncio, nomeado vice-governador do BCE, são portugueses. E nem por isso a austeridade foi menos violenta, ou os nossos bancos foram protegidos da venda aos conglomerados europeus. Quanto a famílias políticas, não podemos esquecer que Dijsselbloem, anterior presidente do Eurogrupo, pertencia ao Governo socialista holandês.
Sabemos que não ouviremos de Centeno qualquer discurso xenófobo a propósito dos países do Sul. Mas isso não significa que a política de austeridade dirigida a estes países sofra alterações. Embora condicionado pelos acordos à esquerda, a posição do ministro das Finanças português tem sido de aceitação e execução das regras de Bruxelas. Mais tarde ou mais cedo, a política monetária do BCE irá mudar e estarão em cima da mesa propostas de maior centralização de poderes em instituições europeias não democráticas. Isto sem falar na possibilidade de novas crises, para as quais os mecanismos de resposta a nível europeu se mantêm inalterados. Centeno pode vir a encontrar-se no lugar de arauto da continuidade de políticas agressivas contra a periferia e de aprofundamento de uma integração europeia antidemocrática.
Não tenhamos ilusões. A União Europeia e as suas várias instituições já deram provas de enorme resiliência, mesmo contra a maior contestação popular. Se Mário Centeno fosse uma ameaça ao seu status quo, não seria hoje presidente do Eurogrupo.
Mariana Mortágua in “Jornal de Notícias” – 5/11/2017


ALTER DO CHÃO: Detido por posse ilegal de armas

O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Alter do Chão e do Núcleo de Investigação Criminal de Portalegre, ontem, dia 4 de dezembro, em Alter do Chão, deteve um indivíduo de 66 anos por posse ilegal de armas e ameaças.
As suspeitas sobre o visado iniciaram-se a partir de uma denúncia apresentada, naquela localidade, por ameaças com armas de fogo, em agosto do ano passado, sendo que ontem foi dado cumprimento a um mandado de busca domiciliária emanado pelo Tribunal Judicial da Comarca de Portalegre.
Das buscas realizadas à residência, anexos e viaturas resultou a apreensão de:
 ·         Duas espingardas caçadeiras;
·         Duas espingardas de ar comprimido;
·         Uma pistola;
·         152 munições;
·         Um cano de uma espingarda.
As armas apreendidas encontravam-se em situação irregular.
O visado foi constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência

Hidro Eléctrica do Alto Alentejo na Vida Alentejana

O número 1 da revista "Vida Alentejana" publicado no dia 11 de Setembro de 1934 dava grande destaque (reportagem) à Hidro Eléctrica do Alto Alentejo. Reportagem que aqui deixamos como contributo para a Memória Histórica do concelho de Nisa.

CASTELO DE VIDE: Jantar de Natal da Casa do Benfica


4.12.17

Página de Nisa em "O Distrito de Portalegre" - 17/12/2009

Desde muito novo comecei a colaborar com diversos órgãos de comunicação social, regionais e nacionais. De entre os diferentes jornais em que colaborei destaco, a nível regional, o "Diário do Alentejo", "Jornal do Fundão", "Gazeta do Interior", "Fonte Nova" e "O Distrito de Portalegre", este, principalmente, durante a direcção de Nuno Folgado. A nível nacional fui correspondente de "O Diário", praticamente desde a sua fundação até à extinção. Guardo gratas recordações da minha participação no quinzenário "O Pregão", de Castelo de Vide, e não menos gratificantes, pelo entusiasmo dos seu principal dinamizador - Francisco Narciso - na criação e manutenção do "Notícias de Nisa" que viria a constituir-se como a principal "semente" do "Jornal de Nisa" que criei e dinamizei durante quase 11 anos, o jornal que mais tempo durou em Nisa (de Janeiro de 1998 a Outubro de 2008) num total de 265 edições, vários destacáveis ou suplementos, alguns dedicados, exclusivamente, a figuras nisenses, que os poderes públicos esqueceram (ou fizeram por esquecer). 
No "Jornal de Nisa" colaboraram e escreveram pessoas de todas as tendências políticas, sem excepção e, curiosamente, no primeiro jornal aparecido em Nisa após o 25 de Abril, nos anos oitenta - destinado a combater o executivo camarário -  nunca foi solicitada a minha colaboração para escrever e colaborar com o dito, talvez, por na altura, ser militante de um partido que não "cabia" na esfera "democrática" dos orientadores do jornal. 
São histórias, muitas delas quase inimagináveis, desses tempos de "brasa" da ainda jovem democracia portuguesa, vividas a nível local. 
Por aqui irão passando muitas das páginas digitalizadas de vários jornais em que colaborei, de forma absolutamente graciosa e gratuita, apenas recebendo em troca um ou dois exemplares de cada edição.

PORTALEGRE: Almoço de Natal de Ex-Combatentes


NISA: Jantar de Natal da Inijovem


PORTALEGRE: III Jornadas da Gerontologia e Reabilitação

A Santa Casa da Misericórdia de Portalegre vai realizar as III Jornadas da Gerontologia e Reabilitação nos dias 6 e 7 de Dezembro.
Ao longo destes dois dias serão debatidos temas relacionados com o Envelhecimento, desde os cuidados, exercício e alimentação que contribuem para um envelhecimento ativo,  até ao apoio e serviços prestados aos doentes com demências, como é o caso da doença de  Alzheimer. Serão também realizados alguns workshops em áreas interessantes como a Musico-terapia.
Esta iniciativa é dirigida exclusivamente a profissionais e técnicos do sector da saúde e solidariedade social e conta com colaboração de profissionais de outras entidades, como a Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior, Centro Social de Tolosa, Associação Agir no Tempo, Fundação Nossa Senhora da Esperança, ULSNA e Serunion.

3.12.17

António Eloy lança "Almaraz e Outras Coisas Más"

Venho convidar-vos, e solicitar a divulgação, para o lançamento, em Portugal, do livro " Almaraz e outras coisas más", que junta quase todos os expoentes das lutas anti-nucleares e pela sustentabilidade energética, na Ibéria.
Neste momento em que enfrentamos sérios riscos, seja a nível global, sejam os que continuam a aventasmar-nos, do projecto irrealista da mina de urânio de Retortillo a Almaraz, que nas costas do governo português no âmbito do Plano contra as Alterações Climáticas em Espanha se apresta a “ter” mais dez anos de vida..., neste livro fazemos a história de todas, todas as lutas contra o urânio e a nuclear na Ibéria e do empenho pelas renováveis e a eficiência.
O livro terá um preço público de 10 Euros.
António Eloy

MEMÓRIA: Evocação de Mendes dos Remédios nos 150 anos do seu nascimento

Assinalaram-se no passado mês de Setembro duas datas referentes a Joaquim Mendes dos Remédios, um nisense ilustre, que foi Ministro da Instrução Pública e Reitor da Universidade de Coimbra: a 21 de Setembro, 150 anos do seu nascimento; a 30 de Setembro, 85 anos sobre a data do seu falecimento, ocorrido em Montemor-o-Velho. Efemérides que evocamos para lembrar o professor, o académico, o escritor e o cidadão nascido em Nisa e a quem, só muito tardiamente, foi reconhecido o mérito intelectual e a prestação da homenagem pública de que era credor.
Há 150 anos, numa casa humilde no Rossio de Nisa, nasceu o Prof. Dr. Joaquim Mendes dos Remédios “um dos mais notáveis ornamentos da Universidade de Coimbra e operoso cultor das Letras pátrias” na definição do professor Abel Monteiro.
Filho de Albino Mendes e de Maria José Curado, Joaquim Mendes dos Remédios nasceu a 21 de Setembro de 1867, e faleceu a 30 de Setembro 1932, aos 65 anos de idade, no lugar de Santo Varão, concelho de Montemor-o-Velho, sendo sepultado em Coimbra.
Fez os seus estudos preparatórios no Seminário de Portalegre, onde a vida não se lhe revelou fácil, devido aos horários rígidos dos seminaristas, tendo sido transferido para Coimbra, por ordem do Dr. Francisco Martins, mecenas de outros estudantes laureados, devido à revelação da sua capacidade intelectual e amor ao estudo, onde frequentou a Faculdade de Teologia, na qual se matriculou em 15 de Outubro de 1888.
É ainda no Seminário, em conjunto com um grupo de rapazes, também eles de Nisa, que se começam a revelar os seus dotes literários, “porque a gentes de Nisa foram sempre de propensão especial para todas as manifestações da inteligência, afirmadas nas suas artes e industrias locais, (rendas e cerâmica)- no amor ao estudo e na firmeza com que conservam puros alguns dos seus tradicionais costumes (vestuário e vários usos)”. (1)
«O Primeiro Nisa» foi o pseudónimo com que se identificou em quase todos os textos escritos, e até mesmo depois, para o Almanaque de Lembranças, para onde escreveu até 1890.
Data de 1886 a primeira publicação de Joaquim Mendes dos Remédios. Tratou-se de um logogrifo em verso e em acróstico, intitulado “Aos estudantes de Nisa”. Em 1887 publica “No cemitério”, com dedicatória “Ao meu estimável amigo António Basso Marques” e no ano em que inicia os seus estudos na Faculdade de Teologia em Coimbra, edita um conto, desta vez, com dedicatória ao “meu dedicado amigo e primo A. J. Curado”.
No ano de 1889, dedica “Esperanças Mortas” ao “meu simpático e verdadeiro amigo J. da Cruz Miguéns”. O ano de 1890 fica marcado por ser o último em que o futuro professor escreve para o Almanaque das Lembranças, despedindo-se assim, com uma publicação intitulada “Jaime”.
Joaquim Mendes dos Remédios não abandona a sua paixão pela arte literária, e em 1891 publica “Pátria e Família”.
No ano seguinte (1892) termina o bacharelato e a 18 de Junho de 1893 completa a formatura. A 15 de Fevereiro de 1894 termina a licenciatura. Nos dias 6 e 7 de Março de 1895 fez acto de conclusões magnas e no dia 28 do mês seguinte termina o doutoramento, tendo obtido o primeiro despacho para o magistério superior, que viria a iniciar a 04 de Janeiro de 1896.
Desde 1898 até á sua morte, dirigiu a colecção Subsídios para o Estudo da Literatura Portuguesa, que inclui várias obras as sua autoria.
Com a extinção da Faculdade de Teologia e a construção do edifício da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a qual lhe mereceu um forte interesse da parte do Professor, Mendes dos Remédios passou a integrar o corpo de professores catedráticos dessa mesma Universidade, notabilizando-se como especialista em História da Literatura Portuguesa e investigador prolífero.
Entre os anos de 1900 a 1913 desempenhou o cargo de Secretário da Biblioteca da Universidade e em simultâneo entre os anos de 1911 e 1913 exerce as funções de secretário da Faculdade de Letras até 1925.
Em 1911, em conjunto com David Franco Mendes, Joaquim Mendes dos Remédios edita o livro intitulado Os Judeus Portugueses em Amesterdão, tornando-se na sua obra mais célebre.
No ano posterior edita o primeiro volume da Revista da Universidade de Coimbra. 
No espaço de tempo em que dirige as duas bibliotecas (1811-1813), cria os gabinetes de cimélios, super-libris e ex-libris; funda o Arquivo Bibliográfico e organiza a colecção de numismática.
É neste período temporal de dois anos (1911/1913), que Mendes dos Remédios assume também as funções de Reitor da Universidade de Coimbra, representando as faculdades de Letras de Lisboa e Coimbra no Conselho Superior de Instrução Pública e alcança o cargo de Secretário do Conselho de Arte e Arqueologia da Segunda Circunscrição.
Nos anos de 1918 e 1919 volta a desempenhar o cargo de reitor da Universidade de Coimbra e de 1925 a 1930 dirige a Faculdade de Letras daquela Universidade, criando os «Cursos de Férias da Universidade»; os institutos de culturas estrangeiras; as publicações da Sala francesa; a revista Biblos e o Boletim do Instituto Alemão.
No ano da Revolução de 1926, ascendeu a Ministro da Instrução Pública, no célebre Governo presidido por Mendes Cabeçadas, uma passagem efémera (de 3 a 19 de Junho de 1926) pelo governo da Nação, distinção que conquistou «não pelos caprichos da fortuna ou pelo patrocínio dos amigos poderosos, mas, somente, pelo imperioso prestígio dos seus dotes intelectuais e morais” como referiu Eugénio de Castro a quando do seu falecimento.
«Nascido em humilde e pobre berço e órfão de pai, quando do mesmo berço não se distanciara muito, compreendeu, sendo ainda uma criança, que o destino o arvorara em precoce protector da mãe e das irmãs desamparadas e, corajosamente, aceitou um tão pesado encargo, ao qual sacrificou, logo de princípio, as suas aspirações juvenis e, depois com admirável abnegação, toda a sua austera vida de generosa renúncia e de contínuo trabalho.»
É com estas palavras que Eugénio de Castro sintetiza a vida do Professor Mendes dos Remédios.
Uma vida ao serviço da Universidade
Joaquim Mendes dos Remédios dedicou a sua vida ao serviço da elevação da Universidade de Coimbra, tendo-se interessado pela construção do edifício da Faculdade de Letras e pela criação dos Cursos de Férias da Universidade, uma inovação para a época. A par do seu labor intelectual como professor, investigador e escritor, deixou uma importante e vastíssima obra no campo da literatura clássica e didáctica.
De entre as suas publicações, destacam-se: História da Literatura Portuguesa, Introdução à História da Literatura Portuguesa – obra que integra 23 volumes dos trabalhos mais notáveis de Sá de Miranda, Gil Vicente, Camões e outros -; Os Judeus em Portugal; Os Judeus Portugueses em Amesterdão; Filosofia Elementar; Pátria e Família; Sousa Martins e a Serra da Estrela; Cartas Inéditas de D. Pedro V; Uma bíblia hebraica na Biblioteca da Universidade de Coimbra; Moedas romanas da Biblioteca da Universidade de Coimbra; As Horas de Nossa Senhora da Biblioteca da Universidade de Coimbra; Filomeno de S. Boaventura; Carta exortória aos padres da Companhia de Jesus; Camões, poeta da fé; As comédias de Sá de Miranda; Lessing, fabulista na Literatura Portuguesa; e muitas conferências.
Sendo um destacado e notável intelectual nisense, de grande prestígio e actividade no século passado, só muito tarde a vila em que nasceu lhe prestou as honras devidas e a homenagem de que era, justamente, merecedor.
Em 1967, por ocasião do centenário do seu nascimento, Abel Monteiro, director do jornal “Correio de Nisa” dedicava-lhe um Editorial que era, ao mesmo tempo, um alerta às entidades públicas sob o título “Uma dívida em Aberto”.
Dívida que só foi saldada após o 25 de Abril, em 1987, numa homenagem pública, com sessão solene e conferência, sendo-lhe atribuída, a título póstumo, a Medalha de Mérito Municipal e o seu nome atribuído a uma das ruas da vila, a antiga Rua Vale D´Ordens.
Mais tarde e desde 15 de Maio de 1996, a Escola Básica dos 2º e 3º ciclos / Secundária Professor Mendes dos Remédios em Nisa, escolheu-o para seu Patrono, por proposta do Conselho Pedagógico que foi aprovada pela Direcção Regional de Educação do Alto Alentejo, merecendo o parecer positivo da Câmara Municipal de Nisa.
Falta ainda a lápide a assinalar a casa onde nasceu e residiu na actual Praça da República, em Nisa, no local designado por “Marouços” e imóvel pertencente aos herdeiros de José de Oliveira Fronteira.
Mendes dos Remédios e a Problemática dos Judeus
A vila de Nisa, parece ter sido fadada como berço de escritores que, através das suas obras mais representativas, primaram em dar a conhecer, a Portugal e à Europa, aspectos pouco conhecidos e até desconhecidos, sobre a maneira de viver de povos ou comunidades.
Refiro-me, concretamente, aos casos do Padre Álvaro Semedo e de Joaquim Mendes dos Remédios, ambos nascidos em Nisa, o primeiro em 1585 e o segundo cerca de três séculos depois, em 1867.
O padre Álvaro Semedo, depois de ter estudado no Colégio de Jesuítas, em Évora e ter ingressado nesta ordem religiosa, rumou ao Oriente, como missionário, tendo, como eclesiástico, desempenhado importantes funções e dado um importante e insubstituível contributo para a história das relações luso-chinesas e para o conhecimento europeu sobre o Oriente, através da sua obra “Relação da Grande Monarquia da China”, cuja primeira edição, curiosamente, foi editada em castelhano, aparecendo o autor com o nome de Alvarez Semedo.
No início do século XX eis que outro nisense, Joaquim Mendes dos Remédios retoma, de forma brilhante, e por incumbência da própria Universidade de Coimbra, onde leccionava, a problemática das religiões e dos modos de vida/cultura, tratando-se, aqui, não de outros povos e territórios distantes, mas de uma comunidade, a hispano-lusa, perseguida e obrigada ao exílio forçado pelo “delito” de expressão do credo: os judeus.
A missão atribuída a Mendes dos Remédios consistia na investigação, estudo e caracterização da comunidade judaica portuguesa em Amesterdão. Refira-se, que a missão, na qual gastou três meses, incluía também a pesquisa em bibliotecas e instituições espanholas (Madrid) na “peugada” de um códice sobre o Infante Santo (D. Fernando) investigação, igualmente bem sucedida e que lhe permitiu a edição de obra sobre o mesmo tema.
Estes trabalhos surgiram como consequência da sua formação inicial em Teologia e de investigador no âmbito da “História da Literatura Portuguesa” e também pela sua apetência e natural propensão para o estudo de uma área/realidade sobre a qual ainda pendiam alguns “temores” e de que já tinham sido dados à estampa alguns contributos importantes, como é o caso, por exemplo, dos três volumes sobre a “Consolaçam às Tribulaçoens de Israel”, por Samuel Usque, a ópera jocosa-séria das “Guerras do Alecrim e da Mangerona”, de António José da Silva (o Judeu), e não menos importante, a obras “Os Judeus em Portugal” e um folheto de divulgação e análise sobre “Uma Bíblia Hebraica na Biblioteca da Universidade de Coimbra”.
Posto isto, levantamos um pouco o véu e perguntamos: era Joaquim Mendes dos Remédios, judeu ou descendente de famílias que professavam o judaísmo?
A importância de “Os Judeus Portugueses em Amesterdão”
A mais conhecida obra de Joaquim Mendes dos Remédios é o livro intitulado: “Os Judeus Portugueses em Amesterdão”, editado conjuntamente com David Franco Mendes e integrada na colecção Monvmenta Ivdaica Portvcalensia, dirigida por Manuel Cadafaz de Matos e H. P. Salomon e de cujo conselho editorial em Portugal, fazem parte nomes como António José Saraiva (Universidade de Lisboa); Artur Anselmo (Universidade Nova de Lisboa), Humberto Baquero Moreno (Universidade do Porto) ou Maria José Pimenta Ferro Tavares (Universidade Nova de Lisboa).
A relevância desta obra, reside no indiscutível contributo que representa quer para o estudo da “Questão Judaica”, quer da própria História das Ideias.
Os escritos de David Franco Mendes e J. Mendes dos Remédios reunidos sob o título “Os Judeus Portugueses em Amesterdão” focalizam uma época que é, simultaneamente, de repressão e de perseguição religiosa, seja na Península Ibérica ou em França, e de respeito pela liberdade individual e de culto, existente nas províncias unidas (Países Baixos ou Holanda).
A este respeito, diz-se, na obra de David Franco Mendes: “ En ninguna parte del mundo tienem menor recelo que en Amst (erda)m tanto p(o)r la libertad de conciencia de las 7 Prov(incia)s quanto p(o)r la bondad de sus Ingeniosos moradores... “
A obra dá aos leitores e estudiosos um impressionante conjunto de informações capazes de contribuírem para a elaboração de um “retrato” cultural, religioso, etnográfico, psicológico, social e económico, dos judeus portugueses ( e espanhóis) na Holanda dos séculos XVII e XVIII.
A partir desta obra é possível abrirem-se outras portas e janelas para o estudo, análise, divulgação de uma área do conhecimento e da História Portuguesa pouco explorada e ainda menos conhecida: a epopeia dos Judeus em Portugal.
E esta será, seguramente, a principal virtude e o maior mérito da obra que David Franco Mendes e Joaquim Mendes dos Remédios fizeram ver a luz da claridade.
Notas
(1)     Tude Martins de Sousa in “Estudos Dispersos”
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 29/11/2017